ASA eliminou o ABC na Copa do Nordeste (Foto: José Feitosa/Gazeta de Alagoas)
As brincadeiras de torcedores do Sudeste sobre o ASA de Arapiraca perderam o sentido. A música “E se”, de Chico Buarque e Francis Hime, sobre coisas impossíveis de acontecer, também perdeu força na última década. Não nevou no sertão, mas o Arapiraca foi campeão, e não apenas uma vez.
Foram seis títulos alagoanos a partir de 2000. Além das conquistas locais, o Alvinegro alçou voos ousados no futebol nacional, assombrou o Palmeiras na Copa do Brasil e, em 2009, subiu para a Série B do Brasileiro com o vice-campeonato da Terceirona. Nos três anos que se seguiram, mesmo com um orçamento menor do que o da maioria dos adversários, se manteve na Segundona e, em determinados momentos, chegou até a sonhar a com a elite. Neste ano, o ASA demonstra seu potencial ao chegar às semifinais da Copa do Nordeste. Domingo (24), o time inicia o mata-mata contra o Ceará, às 16h, em Arapiraca.
Ex-gandula do Estádio Coaracy da Mata Fonseca, Didira virou ídolo do ASA
(Foto: Frankie Marcone / Ag. Estado)
Vica e Didira fazem parte da geração mais vitoriosa
A fase de expansão da marca se deu sob o comando do técnico Vica (atualmente no Fortaleza), que atuou em várias áreas do clube de 2008 a 2011 e até hoje é reverenciado por boa parte da torcida. Ao lado do treinador, um jogador também ganhou status de ídolo nesse período. Ex-gandula do Estádio Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca, o meia Didira faz parte da geração mais vitoriosa da história do clube.
- O ASA cresceu muito nos últimos anos. A cada temporada, nossa estrutura melhora, aumenta o investimento na base e os jogadores que passam por aqui ganham projeção - comentou o jogador, que teve passagem até pelo Atlético-MG, em 2011, mas voltou no ano seguinte para ajudar o time alagoano na Série B nacional.
Técnico Vica marcou época em Arapiraca
(Foto: Divulgação/ASA-AL)
Didira também exalta o trabalho do atual vice-presidente do ASA, José Oliveira.
- Desde quando o Zé chegou à presidência o ASA aumentou muito sua força e hoje não deve nada a nenhum grande clube do Nordeste. Por isso, pensamos em conquistar o regional e, quem sabe, lutar por uma vaga na Série A em 2013 – emendou o meia, autor de um gol na marcante vitória do time alagoano sobre o ABC, sábado (16), por 2 a 1, em Natal.
O gerente de futebol clube, Marcelo de Jesus, diz que o segredo do clube é o planejamento.
- Sempre cumprimos os nossos compromissos porque trabalhamos com os pés no chão. Aqui o orçamento nunca é estourado – declarou o dirigente.
Histórico
Time da fundação do ASA (Foto: Divulgação/ASA)
Fundando no dia 16 de setembro de 1952, o ASA nasceu com o nome de Associação Sportiva Arapiraquense, sendo campeão alagoano no ano seguinte. Em 1977, o nome do clube foi mudado para Agremiação Sportiva Arapiraquense e o escudo foi desenhado pela artista de Arapiraca Ismael Pereira.
Depois do primeiro título, o Alvinegro só voltou a ser campeão estadual 47 anos depois, em 2000, quebrando a hegemonia da dupla da capital CSA e CRB. As conquistas se repetiram em 2001, 2003, 2005, 2009 e 2011. Além dos sete troféus estaduais, o ASA ainda venceu a Copa Alagipe – entre times de Sergipe e Alagoas – em 2005.
O grito
Inspirada no hino do clube, a torcida alvinegra criou um grito famoso nos estádios alagoanos. "Uh! ASA Gigante" é uma frase que acompanha o time por onde quer que ele vá e motiva os atletas nos momentos mais difíceis.
- A vitória sobre o ABC em Natal foi mais um feito do Gigante. Não é fácil ganhar deles no Frasqueirão - disse o goleiro Gilson, um dos destaques do atual elenco alvinegro.
Fantasma assombra o Palmeiras
O mascote do clube é um fantasma, que ganhou poderes no clube na década de 60, quando o ASA fez estragos nos adversários durante uma excursão pelo Nordeste. Mas uma das grandes travessuras da assombração foi a eliminação do tradicional Palmeiras na Copa do Brasil de 2002. O Alvinegro venceu o adversário em Arapiraca, por 1 a 0, dia 13/02, e, na partida de volta, dia 20/02, perdeu por 2 a 1, passando de fase por causa do gol qualificado fora de casa.
Aquela classificação inspira até
hoje nossos jogadores e impulsionou o ASA "
José Oliveira
Dez anos depois, o Palmeiras voltou a Alagoas para enfrentar o Coruripe pela Copa do Brasil e o então presidente do ASA, José Oliveira, deu um “presente de grego” ao técnico Luiz Felipe Scolari: a camisa alvinegra. O Verdão foi campeão da Copa do Brasil, mas coincidentemente, como aconteceu em 2002, acabou rebaixado no Brasileiro. Por isso, em Arapiraca, os torcedores do fantasma dizem com orgulho que o clube é a asa negra do Palestra.
- Naquela época, o Palmeiras tinha bons jogadores, com nível de seleção. O treinador era o Vanderlei Luxemburgo, no auge da carreira, e conseguimos esse feito. Aquela vitória inspira até hoje nossos jogadores e impulsionou o ASA para as suas maiores conquistas - comentou José Oliveira.
Quando era técnico do Palmeiras, Felipão recebeu de José Oliveira uma camisa do ASA
(Foto: Victor Mélo/ Globoesporte.com)